Quando Kathleen Suzan Zwicker participou, em 27 de junho de 2014, do programa Nachtcafé, da emissora pública alemã SWR, o tema da edição era Typisch Deutsch – gibt’s das noch? (Tipicamente alemão: isso ainda existe?). A escolha de uma jovem de Blumenau para participar de um programa alemão dedicado justamente a discutir o que ainda poderia ser considerado “tipicamente alemão” é, por si só, significativa. Kathleen nascera e crescera no Brasil. Até junho de 2014, nunca havia estado na Alemanha. No trecho audiovisual do programa, ela fala de sua relação com elementos da cultura alemã e afirma, entre outras coisas, gostar da língua alemã. Segundo o relato apresentado no próprio programa, também seus pais e irmãs não haviam construído essa relação cultural por meio de uma vida anterior na Alemanha. A Alemanha que fazia parte de seu universo familiar não resultava, portanto, de uma experiência migratória recente ou de uma infância passada naquele país, mas de uma herança cultural transmitida no Brasil. A participação de Kathleen como convidada dessa edição e a data de transmissão são confirmadas pelos registros televisivos do programa. [1]

Esse dado confere ao caso um interesse histórico que ultrapassa amplamente a biografia de uma jovem descendente de imigrantes. O que se encontra diante das câmeras da SWR em 2014 é o resultado contemporâneo de um processo de transmissão cultural iniciado muitas gerações antes. A historiografia sobre a imigração alemã no Brasil dispõe de um conceito próprio para compreender uma parte fundamental desse processo: Deutschtum**.** Traduzido frequentemente como “germanidade”, o termo possui um conteúdo histórico mais complexo. Giralda Seyferth mostrou que Deutschtum, Volkstum e Kultur eram utilizados no meio teuto-brasileiro não apenas como equivalentes de germanidade, nacionalidade ou cultura, mas como marcadores de uma diferença cultural vinculada também a uma noção de pertencimento comunitário. Em sua análise, Blumenau tornou-se o principal núcleo urbano do Vale do Itajaí e um dos centros irradiadores de uma forma especificamente brasileira de Deutschtum. [2]
O Deutschtum brasileiro não se limitava à lembrança sentimental da terra abandonada pelos primeiros imigrantes. Sua permanência dependia precisamente da capacidade de fazer com que língua, referências culturais e consciência de origem sobrevivessem à geração que havia efetivamente nascido na Alemanha. Esse processo requeria instituições e espaços de socialização. Em Blumenau e em outras regiões de colonização alemã surgiram escolas, igrejas, jornais, almanaques, sociedades de canto, sociedades de ginástica, organizações beneficentes e inúmeras associações recreativas. Seyferth destaca particularmente a importância das Vereine. Os Gesangvereine, Tanzvereine, Turnvereine e Schützenvereine, sociedades de tiro que estão historicamente na origem dos atuais Clubes de Caça e Tiro, existiam em Blumenau desde os primeiros anos da colônia. Seus salões serviam não apenas ao tiro ou ao lazer, mas também a apresentações musicais, teatro, festas e convivência social; na década de 1930, associações desse tipo estavam espalhadas pela cidade, pelas localidades do interior e pelas linhas coloniais, muitas delas mantendo inclusive o uso da língua alemã em seus estatutos e atividades. Para Seyferth, esses espaços funcionavam como lugares de atualização de uma identidade cultural marcada pela germanidade. [3]
Em Blumenau, portanto, o Deutschtum não sobreviveu simplesmente porque a assimilação ocorreu lentamente; durante muitas décadas existiram estruturas sociais destinadas conscientemente a preservar uma identidade alemã através das gerações, até que o Estado brasileiro interveio de forma coercitiva para impor uma nacionalização muito mais profunda.[4]
Por isso, a ligação de Kathleen Zwicker com os Clubes de Caça e Tiro de Blumenau possui relevância histórica específica. Ela não estava vinculada a uma associação qualquer, mas a uma forma de organização que, desde o século XIX, estivera profundamente integrada à história do Deutschtum local. Kathleen representou a Associação dos Clubes de Caça e Tiro de Blumenau quando foi eleita Miss Blumenau em 2013 e participava havia anos desse ambiente associativo. Esse fato não permite atribuir a ela qualquer orientação política decorrente da história dessas associações. Permite, contudo, identificar um dos espaços sociais concretos nos quais tradições e formas de identificação germânica continuavam sendo cultivadas no século XXI.[5]
Esse aspecto é fundamental para entender o significado da transmissão intergeracional. Uma identidade cultural não atravessa quatro, cinco ou seis gerações apenas porque um sobrenome permanece alemão. Ela precisa ser reproduzida. Crianças aprendem uma língua em determinado ambiente; famílias selecionam tradições que consideram dignas de ser conservadas; festas criam experiências compartilhadas; associações produzem sociabilidade; narrativas familiares atribuem significado aos antepassados; símbolos são repetidos até se tornarem familiares a pessoas que jamais conheceram diretamente o lugar de onde esses símbolos vieram. O Deutschtum foi particularmente eficaz porque essa transmissão não permaneceu confinada à esfera doméstica. Família e comunidade podiam reforçar-se mutuamente. A língua ouvida em casa encontrava espaços de uso na escola, na igreja, na imprensa ou nas associações; a origem alemã, que poderia ter se tornado apenas um dado genealógico, adquiria significado social.
A literatura teuto-brasileira estudada por Seyferth revela também que essa identidade não exigia necessariamente a negação jurídica do Brasil. Pelo contrário, desenvolveu-se historicamente uma fórmula de dupla pertença: o Brasil podia ser a Vaterland, a pátria política dos filhos dos imigrantes, enquanto a herança germânica continuava a ser objeto de lealdade cultural. A própria literatura produzida no Vale do Itajaí expressava repetidamente essa tensão entre a “nova pátria” brasileira e a obrigação de conservar as raízes alemãs. Em alguns textos, personagens aprendiam português e reconheciam sua condição brasileira sem abandonar a consciência de serem teuto-brasileiros; em outros, a preservação da cultura e da língua alemãs era apresentada como dever diante das gerações seguintes. O elemento particularmente relevante é que nacionalidade estatal e pertencimento cultural podiam ser concebidos como categorias distintas. [6]
Essa história, entretanto, não permaneceu apenas no campo da cultura. Durante a década de 1930, uma parte do universo alemão existente no Brasil foi submetida a uma intensa tentativa de mobilização política pelo nacional-socialismo. É indispensável estabelecer aqui uma distinção: o Deutschtum é historicamente anterior ao nazismo e não pode ser reduzido a ele. Tampouco todos os descendentes de alemães, integrantes de associações germânicas ou defensores da língua alemã aderiram ao nacional-socialismo. Confundir as duas categorias destruiria precisamente a complexidade que a investigação histórica procura explicar. Isso não altera, porém, o fato de que o nacional-socialismo encontrou nesse espaço transnacional de identidade alemã estruturas, discursos e sentimentos de pertencimento que procurou aproveitar, reorganizar e radicalizar.[7]
A dimensão dessa penetração política está bem documentada. Ana Maria Dietrich, em sua extensa pesquisa sobre o NSDAP no Brasil, demonstrou que o partido funcionou no país entre 1928 e 1938 como parte da rede internacional comandada pela Auslandsorganisation der NSDAP. Segundo seu levantamento, aproximadamente 2.900 pessoas estiveram filiadas ao partido, presente em 17 estados brasileiros. Em números absolutos, tratava-se da maior organização do NSDAP fora da Alemanha. Esses 2.900 filiados constituíam apenas uma parcela da população de origem alemã no país e não autorizam identificar a comunidade teuto-brasileira em seu conjunto com o nazismo. O dado demonstra, entretanto, que a ligação política com a Alemanha nacional-socialista não foi marginal a ponto de poder ser descartada como episódio irrelevante. Existiu uma organização formal, subordinada à estrutura partidária alemã e disseminada por grande parte do território brasileiro. [8]
As pesquisas de Méri Frotscher acrescentam a essa história uma dimensão particularmente importante, porque permitem observar o fenômeno não apenas por meio da estrutura partidária, mas também através das decisões concretas de pessoas que viviam no Brasil e decidiram dirigir-se à Alemanha sob o regime nacional-socialista. Com base no Statistisches Jahrbuch für das Deutsche Reich, Frotscher registra 692 “imigrantes de cidadania alemã” provenientes do Brasil em 1937, 2.536 em 1938 e outros 5.156 em 1939 até o início da guerra. Somados, chegam a 8.384 pessoas. A própria historiadora adverte que a documentação é incompleta, de modo que os números devem ser entendidos como indicação da dimensão do fluxo e não como cadastro integral de todos os envolvidos. [9]
É importante ser extremamente preciso sobre esse número. Os 8.384 registrados não eram 8.384 membros do NSDAP e não podem ser convertidos retrospectivamente em “8.384 nazistas”. A pesquisa de Frotscher demonstra exatamente por que uma generalização dessa natureza seria metodologicamente errada. Entre 448 arquivos pessoais de retornados conservados pelo Rückwandereramt e examinados em seu estudo, apenas 106 continham informações sobre filiação partidária; aproximadamente metade desses 106 indicava filiação. A amostra documental é incompleta e não permite projetar essa proporção automaticamente sobre o conjunto dos 8.384. O que pode ser afirmado com segurança é que milhares de pessoas provenientes do Brasil se deslocaram para a Alemanha nazista naquele período e que, entre elas, havia tanto membros do partido quanto não membros. [10]
Isso, entretanto, não significa que o Estado nacional-socialista observasse esse movimento com neutralidade. O Rückwandereramt, criado dentro da Organização para o Exterior do NSDAP, submetia os retornados a um processo de controle político. Os formulários perguntavam sobre filiação ao NSDAP e a outras organizações nacional-socialistas; as informações eram verificadas junto à Gestapo e à Auslandsorganisation, e os indivíduos eram classificados conforme sua “confiabilidade política”. Frotscher chama atenção ainda para uma finalidade diretamente vinculada aos preparativos de guerra: a confiabilidade política importava porque muitos dos retornados eram necessários em empresas consideradas protegidas e relevantes para a preparação bélica. O regime, portanto, não apenas recebia passivamente alemães vindos do exterior; procurava classificá-los, integrá-los e utilizá-los dentro de sua ordem política, econômica e racial. [11]
Um dos casos analisados por Frotscher torna especialmente visível a ligação entre Deutschtum, transmissão geracional e nacional-socialismo. Adolf Tom, que havia vivido no Brasil, ingressou entusiasticamente numa célula do NSDAP em Presidente Bernardes, em São Paulo. Ao justificar posteriormente sua decisão de retornar à Europa, registrou no formulário do Rückwandereramt como um de seus motivos: “Um meine Kinder dem Deutschtum zu erhalten” — conservar seus filhos para o Deutschtum. Frotscher deixa claro que Tom era um nacional-socialista convicto e analisa criticamente a maneira como ele construiu autobiograficamente essa identidade diante das autoridades nazistas. O interesse desse documento para a questão aqui discutida é muito específico: ele mostra de forma explícita que a transmissão do Deutschtum aos filhos podia ser entendida como um objetivo consciente de família e, naquele caso particular, estava integrada a uma visão política nacional-socialista. [12]
Nenhuma equivalência pessoal pode ser estabelecida entre Adolf Tom e Kathleen Zwicker. Tom era membro do NSDAP e procurou conscientemente inscrever sua vida dentro do projeto nacional-socialista; não existe no material considerado sobre Kathleen qualquer fundamento para atribuir-lhe semelhante orientação política. A comparação possui outro objeto: o mecanismo de transmissão. O documento de 1938 explicita a preocupação de preservar o Deutschtum para os filhos. O caso de Kathleen, muitas décadas depois e em condições políticas inteiramente diferentes, permite observar que elementos de uma identidade cultural alemã continuaram efetivamente passíveis de transmissão entre gerações no Brasil. Reconhecer essa continuidade cultural não significa inventar uma continuidade ideológica que as fontes não demonstram.[13]
A campanha de nacionalização do Estado Novo produziu uma ruptura profunda nesse universo. Partidos políticos estrangeiros foram proibidos em 1938; escolas e associações sofreram intervenção; a imprensa em língua estrangeira foi restringida e, com a guerra, o uso público do alemão enfrentou repressão ainda maior. A derrota da Alemanha em 1945 tornou ainda mais problemática qualquer continuidade pública dos discursos políticos associados à superioridade germânica ou à fidelidade nacional à Alemanha. Frotscher mostra, em seu estudo sobre as elites de Blumenau entre 1929 e 1950, que a transformação foi profunda. Em 1929, Blumenau ainda podia ser representada como uma espécie de engere Heimat, uma “pátria mais próxima”, e até como colônia-modelo em razão da conservação do Deutschtum. Depois da guerra e do Estado Novo, esse discurso tornou-se tabu no espaço público. Em 1950, setores das elites locais passaram a defender as peculiaridades culturais através de outra linguagem, enfatizando a “pluralidade da cultura” e, simultaneamente, reafirmando a Brasilianität da cidade. [14]
Esse deslocamento é essencial para compreender o que significa falar de Deutschtum no século XXI. Não se trata de imaginar uma substância cultural imutável que teria atravessado cento e cinquenta anos intacta. A própria Frotscher insiste que identidades são móveis, reelaboradas conforme conjunturas e relações de poder. Cultura não fica congelada no momento em que um imigrante desembarca num novo país. Alguns elementos desaparecem, outros sobrevivem, outros são reinventados, e novos significados são atribuídos a práticas antigas. Depois de 1945, a germanidade do Sul do Brasil já não podia ocupar exatamente o mesmo lugar político e discursivo que possuíra nas décadas anteriores. Isso, contudo, não equivale a dizer que a transmissão cultural alemã tenha terminado. A questão histórica passa a ser outra: quais componentes sobreviveram, como foram reformulados e em que medida continuaram capazes de produzir pertencimento?[15]
É nesse ponto que Kathleen Zwicker se torna uma fonte particularmente esclarecedora.
Em junho de 2014, antes da participação no Nachtcafé, uma reportagem da dpa visitou Blumenau e entrevistou Kathleen e outros membros de sua família. Ela tinha 24 anos, era brasileira e, segundo a reportagem, nunca havia estado na Alemanha. Perguntada por qual equipe torceria na Copa do Mundo realizada naquele ano no Brasil, respondeu imediatamente que pela Alemanha, embora dissesse também gostar da seleção brasileira. Em seguida, formulou sua identificação de maneira particularmente expressiva: “Ich mag vielleicht einen brasilianischen Pass haben. Aber mein Herz schlägt deutsch” — “Posso talvez ter um passaporte brasileiro, mas meu coração bate alemão”. A reportagem informa ainda que ela preferia música popular alemã ao samba e mantinha em seu telefone predominantemente música alemã. [16]
O depoimento familiar torna o caso ainda mais relevante. Renato Zwicker, pai de Kathleen, falou com o jornalista em uma variedade antiga do alemão e afirmou que o uso da língua havia diminuído em Blumenau. A reportagem registra que ele e sua esposa, Suely, procuravam manter vivas entre as filhas as tradições, a cultura e a língua dos antepassados. Hellory, irmã mais nova de Kathleen, declarou: “Wir sprechen zu Hause fast nur deutsch” — em casa, falavam quase somente alemão. Hellory estava também intensamente vinculada aos Clubes de Caça e Tiro, enquanto Kathleen participara havia anos das atividades dessas associações e representara a Associação dos Clubes de Caça e Tiro quando foi eleita Miss Blumenau em 2013. Trata-se, portanto, de um conjunto de práticas familiares e comunitárias que existia independentemente da primeira viagem de Kathleen à Alemanha. [17]
No trecho do Nachtcafé fornecido como fonte primária para esta análise, Kathleen confirma pessoalmente um elemento particularmente importante desse universo: ela diz gostar da língua alemã. A língua merece atenção especial porque não é um ornamento que possa ser colocado e retirado como um traje numa festividade. Seu domínio pressupõe aprendizagem, repetição e convivência. No caso da família Zwicker, a reportagem contemporânea confirma justamente o ambiente doméstico de língua alemã. Também é relevante que Kathleen tenha lamentado a perda de tradições em Blumenau e o menor valor atribuído ao idioma alemão, posição registrada contemporaneamente à sua participação no programa. [18]
Esse conjunto de elementos permite diferenciar o caso de um fenômeno puramente turístico. A moderna promoção de Blumenau como cidade “germânica” é, em parte, resultado de políticas culturais, econômicas e turísticas relativamente recentes. A própria reportagem de 2014 observa que a Vila Germânica se desenvolveu a partir da década de 1980 como instrumento de atração turística e recuperação econômica. Fachadas de aparência alemã, restaurantes, Oktoberfest ou Dirndl não podem, isoladamente, ser apresentados como prova da sobrevivência linear da cultura dos colonos do século XIX. Mas uma língua utilizada no ambiente doméstico, transmitida de pais para filhos, combinada com participação prolongada em associações históricas e com uma autodefinição afetiva voltada para a Alemanha, pertence a outra categoria de evidência. [19]
É justamente a declaração sobre o passaporte brasileiro e o “coração alemão” que exige maior rigor interpretativo. Seria excessivo transformá-la na afirmação de que Kathleen negava ser brasileira. Ela não diz isso. O que a frase permite afirmar é, ao mesmo tempo, mais preciso e historicamente muito significativo: Kathleen distingue espontaneamente a nacionalidade jurídica de seu pertencimento afetivo. O Brasil aparece associado ao passaporte; a Alemanha, ao coração. A preferência é ainda concretizada pela escolha da seleção alemã sobre a brasileira naquela Copa do Mundo. No plano jurídico ela é brasileira; no plano afetivo que escolhe verbalizar, atribui à Alemanha uma centralidade identitária extraordinariamente forte.[20]
Essa estrutura é notavelmente próxima de uma questão que atravessa a história do Deutschtum teuto-brasileiro: a separação possível entre cidadania e pertencimento cultural. Não se trata de afirmar identidade entre o discurso teuto-brasileiro de 1920 ou 1930 e a fala individual de Kathleen em 2014. O contexto histórico mudou radicalmente, assim como mudou o significado político de uma identificação com a Alemanha. O que se pode observar é uma continuidade estrutural: a possibilidade de alguém nascido e socializado no Brasil conceber sua pertença jurídica brasileira sem que isso elimine uma identificação cultural e emocional alemã transmitida por família e comunidade.[21]
O dado mais extraordinário talvez seja justamente a ausência de experiência direta anterior com a Alemanha. Segundo o depoimento constante do trecho audiovisual, não apenas Kathleen, mas também seus pais e irmãs não haviam necessitado de uma experiência de vida naquele país para que essa identidade fosse transmitida. Isso altera profundamente a natureza do fenômeno. Na primeira geração de imigrantes, é natural que a língua e a memória alemãs sobrevivam: são pessoas que nasceram e foram socializadas na Alemanha. Na segunda geração ainda existe contato direto com pais que carregam aquela experiência. Quanto mais gerações passam, porém, maior deveria ser, em princípio, a tendência de diluição. Quando descendentes nascidos no Brasil transmitem a outros descendentes, também nascidos no Brasil, uma língua, práticas associativas, tradições e uma identificação emocional alemã suficientemente intensa para que uma jovem diga que seu “coração bate alemão” antes mesmo de conhecer a Alemanha, já não se está diante apenas da memória individual da imigração. Está-se diante de reprodução social de uma identidade.[22]
É precisamente nesse sentido que o termo “ativo” do título deve ser entendido. Um patrimônio pode sobreviver passivamente: um prédio antigo, um sobrenome, uma fotografia, uma receita preservada num livro. Uma identidade está ativa quando continua a organizar práticas e significados no presente. Falar alemão dentro de casa é uma prática. Participar de associações vinculadas historicamente à sociabilidade germânica é uma prática. Transmitir essas atividades às gerações seguintes é uma prática. Preferir a seleção alemã à brasileira e explicar essa preferência afirmando que o próprio coração é alemão é uma manifestação de pertencimento. Nesse caso, o contraste torna-se ainda mais significativo: Kathleen nasceu no Brasil, possui nacionalidade brasileira e pertence a uma família estabelecida há gerações em um país que, desde o século XIX, acolheu numerosos imigrantes de origem alemã que deixavam a Europa em busca de melhores condições de vida e, em determinados períodos e grupos, também em razão de conflitos e perseguições políticas ou religiosas. Ainda assim, ao definir sua própria relação com Brasil e Alemanha, Kathleen não colocou ambos no mesmo plano: declarou “Ich mag vielleicht einen brasilianischen Pass haben. Aber mein Herz schlägt deutsch” – “Posso talvez ter um passaporte brasileiro. Mas meu coração bate alemão”. A formulação não equivale a uma rejeição jurídica da nacionalidade brasileira, mas evidencia uma hierarquia afetivo-cultural em sua autodefinição: o Brasil aparece associado ao passaporte, enquanto a Alemanha é associada ao coração. Nenhum desses fatos, isoladamente, permitiria reconstruir toda a identidade de uma pessoa; considerados em conjunto e contextualizados historicamente, eles constituem evidência consistente de que o repertório do Deutschtum continuava produzindo efeitos sociais reais.[23]
Também aqui é necessário estabelecer o alcance da conclusão. Kathleen não pode ser transformada em representante estatística de Blumenau, muito menos dos milhões de brasileiros que possuem ascendência alemã. Um estudo de caso individual não demonstra a prevalência de determinado fenômeno numa população. Ele pode, contudo, demonstrar sua existência. Para refutar a afirmação de que uma forma ativa de Deutschtum desapareceu completamente depois da Segunda Guerra Mundial, não seria necessário provar que todos ou a maioria dos descendentes continuaram a identificar-se dessa maneira. Basta demonstrar documentalmente que mecanismos de transmissão e formas explícitas de identificação continuaram existindo. Nesse sentido, o caso Zwicker possui elevado valor heurístico.
A longa trajetória histórica permite, então, enxergar o fenômeno em toda a sua complexidade. O Deutschtum nasceu muito antes do nacional-socialismo e criou, no Sul do Brasil, uma extensa infraestrutura de transmissão cultural. Uma parte desse universo foi politicamente mobilizada e radicalizada durante os anos 1930; o NSDAP chegou a organizar cerca de 2.900 filiados no país, enquanto milhares de pessoas provenientes do Brasil se dirigiram à Alemanha justamente nos anos finais que precederam a guerra. Frotscher mostra que o regime nazista classificou e procurou incorporar esses retornados e documenta inclusive indivíduos para os quais preservar os filhos para o Deutschtumconstituía objetivo explicitamente declarado. Estado Novo, nacionalização, guerra e derrota do nazismo destruíram ou transformaram profundamente as antigas estruturas políticas e culturais. O discurso público mudou. A própria germanidade de Blumenau foi reelaborada. Mas a ruptura institucional não eliminou necessariamente toda a socialização produzida durante gerações. [24]
Setenta anos depois da queda do Terceiro Reich, Kathleen Zwicker permite observar o resultado dessa longa história num contexto completamente diferente daquele dos anos 1930. Nada nas fontes aqui consideradas autoriza associá-la pessoalmente ao nacional-socialismo, e fazê-lo seria um erro grave de método. O que o caso evidencia é a sobrevivência de uma camada identitária mais antiga e mais ampla: língua, memória de ascendência, sociabilidade germânica e a possibilidade de distinguir entre cidadania brasileira e pertencimento emocional alemão. O Deutschtumpolítico e institucional do período entre guerras foi derrotado e desarticulado; componentes culturais do Deutschtum, porém, continuaram sendo reproduzidos e reinterpretados.[25]
É por isso que Kathleen é historicamente mais interessante do que qualquer fachada pseudoenxaimel de Blumenau. A fachada pode ser construída em poucos meses para atrair turistas. Uma identidade transmitida através de várias gerações não pode. No caso da família Zwicker, a Alemanha havia permanecido culturalmente presente mesmo sem ter sido uma experiência biográfica direta. Pais nascidos e socializados no Brasil transmitiram às filhas elementos que eles próprios haviam recebido de gerações anteriores; as filhas os encontraram novamente nos clubes, nas festas, na língua e na memória comunitária. Quando Kathleen finalmente chegou à Alemanha em 2014, o território era novo; parte de seu repertório cultural, não.[26]
A formulação “tenho um passaporte brasileiro, mas meu coração bate alemão” concentra esse processo numa única frase. Cientificamente, ela não deve ser ampliada além do que diz. Mas também não deve ser esvaziada. Uma brasileira nascida no Sul do Brasil, pertencente a uma família estabelecida havia gerações no país e que ainda não conhecia pessoalmente a Alemanha declarou espontaneamente uma identificação afetiva alemã e uma preferência explícita pela Alemanha justamente quando Brasil e Alemanha eram colocados simbolicamente em comparação. Essa declaração não é criação de um historiador posterior; é uma autodescrição contemporânea.[27]
Ela permite, portanto, reconhecer uma continuidade que as rupturas políticas do século XX não conseguiram eliminar inteiramente. O Deutschtum que no século XIX e nas primeiras décadas do XX procurara conservar língua, cultura e consciência de pertencimento fora da Alemanha passou por nacionalismo, instrumentalização nazista, repressão, nacionalização e reformulação pós-guerra. Não chegou ao século XXI intacto. Mas, em determinadas famílias e comunidades, chegou ativo: suficientemente ativo para continuar sendo falado, praticado, transmitido e, em casos como o de Kathleen Zwicker, verbalizado como parte íntima da própria identidade.[28]
Notas
[1] SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch? Emissão de 27 de junho de 2014. Participação de Kathleen Suzan Zwicker. Fonte audiovisual primária; trecho fornecido para esta análise. Cf. MEYER, Manuel / dpa. “Wo Brasiliens Fußballherzen für Deutschland schlagen”, 10 jun. 2014, que registra que Kathleen era brasileira e até então nunca havia estado na Alemanha.
[2] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 10, n. 22, 2004, p. 149–197. Especialmente relevante para Deutschtum, Volkstum, Kultur, a condição de Blumenau como centro irradiador de germanidade e o papel das Vereine e Schützenvereine.
[3] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit., especialmente p. 154–160; SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”. Mana, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, 2017, p. 579–607.
[4] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit., especialmente p. 154–160; SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”, op. cit.; SEYFERTH, Giralda. “A assimilação dos imigrantes como questão nacional”. Mana, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, 1997, p. 95–131. Em conjunto, esses estudos demonstram a densidade institucional do Deutschtum em Blumenau, a transmissão intergeracional por língua, escola, religião e associações e a posterior intervenção do Estado Novo durante a Campanha de Nacionalização.
[5] Kathleen Suzan Zwicker concorreu ao título de Miss Blumenau de 2013 representando oficialmente a Associação dos Clubes de Caça e Tiro de Blumenau, tendo sido eleita em 25 de abril daquele ano. Registros contemporâneos documentam também uma vinculação anterior e prolongada de Kathleen a esse ambiente associativo: ela integrara a realeza da Associação dos Clubes de Caça e Tiro de Blumenau em 2010 e era descrita como participante assídua de atividades relacionadas às tradições germânicas nos clubes e festas da região. Cf. “vc repórter: em disputa acirrada, Miss Blumenau é eleita em SC”. Terra, 26 abr. 2013; WITTMANN, Angelina. “Kathleen S. Zwicker – Miss Blumenau 2013 – Na TV alemã”, 28 jun. 2014.
[6] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit. A autora examina a formulação da identidade teuto-brasileira, a relação entre cidadania brasileira e pertencimento cultural alemão e a obrigação, expressa na literatura regional, de conservar língua e cultura através das gerações.
[7] DIETRICH, Ana Maria. Nazismo tropical? O Partido Nazista no Brasil. Tese de Doutorado em História Social, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. Cf. também SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”, op. cit., especialmente sobre a radicalização, pelo nacional-socialismo, da pertença alemã segundo critérios raciais.
[8] DIETRICH, Ana Maria, op. cit. Pesquisa central para a organização do NSDAP no Brasil entre 1928 e 1938, seus aproximadamente 2.900 filiados, sua presença em 17 estados e sua integração à Auslandsorganisation der NSDAP.
[9] FROTSCHER, Méri. “Retorno à pátria alemã”: migrações de retorno do Brasil para a Alemanha sob o nazismo (1938–1939). Passo Fundo: Acervus, 2024. Cf. também FROTSCHER, Méri. “De ‘alemães no exterior’ a brasileiros? A repatriação de cidadãos brasileiros da Alemanha ocupada (1946–1949)”. História Unisinos, v. 17, n. 2, 2013, p. 81–96, especialmente p. 83–84, para os registros de 692 entradas em 1937, 2.536 em 1938 e 5.156 em 1939 até o início da guerra, totalizando 8.384 cidadãos alemães provenientes do Brasil.
[10] FROTSCHER, Méri. “‘Als Nationalsozialist tat ich jederzeit unter schwersten persönlichen Opfern meine Pflicht’. Autobiographische Erzählung eines Rückwanderers aus Brasilien im institutionellen Kontext”. BIOS – Zeitschrift für Biographieforschung, Oral History und Lebensverlaufsanalysen, v. 26, n. 1, p. 129–143; FROTSCHER, Méri. “Retorno à pátria alemã”, op. cit. Os estudos examinam os arquivos do Rückwandereramt, os dados sobre filiação partidária e os limites metodológicos para generalizar sobre o conjunto dos retornados.
[11] FROTSCHER, Méri. “‘Als Nationalsozialist tat ich jederzeit unter schwersten persönlichen Opfern meine Pflicht’”, op. cit.; FROTSCHER, Méri. “Retorno à pátria alemã”, op. cit. Sobre o controle político dos retornados pelo Rückwandereramt, a verificação de informações junto à Gestapo e à Auslandsorganisation e sua integração na ordem nacional-socialista.
[12] FROTSCHER, Méri. “‘Als Nationalsozialist tat ich jederzeit unter schwersten persönlichen Opfern meine Pflicht’”, op. cit. O estudo analisa o caso de Adolf Tom e sua declaração “Um meine Kinder dem Deutschtum zu erhalten” como motivo apresentado às autoridades alemãs.
[13] FROTSCHER, Méri. “‘Als Nationalsozialist tat ich jederzeit unter schwersten persönlichen Opfern meine Pflicht’”, op. cit.; SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. As fontes permitem comparar o mecanismo de transmissão intergeracional sem estabelecer equivalência ideológica entre Adolf Tom e Kathleen Zwicker.
[14] FROTSCHER, Méri. Mobile Identitäten: Praktiken und Diskurse der Eliten von Blumenau, Brasilien (1929–1950). Historamericana, v. 59. Freiburg im Breisgau: wbg Academic/Herder, 2024; SEYFERTH, Giralda. “A assimilação dos imigrantes como questão nacional”, op. cit. Sobre a Campanha de Nacionalização, a ruptura das antigas estruturas públicas do Deutschtum e a reformulação dos discursos identitários em Blumenau.
[15] FROTSCHER, Méri. Mobile Identitäten, op. cit. A obra analisa identidades como construções móveis e as reformulações do Deutschtum e da Brasilianität em Blumenau antes, durante e depois do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial.
[16] MEYER, Manuel / dpa. “Wo Brasiliens Fußballherzen für Deutschland schlagen”, 10 jun. 2014. A reportagem registra a idade de Kathleen, que ela nunca havia estado na Alemanha, sua preferência pela seleção alemã, a declaração “Ich mag vielleicht einen brasilianischen Pass haben. Aber mein Herz schlägt deutsch” e suas preferências musicais.
[17] MEYER, Manuel / dpa, op. cit.; cf. também “vc repórter: em disputa acirrada, Miss Blumenau é eleita em SC”. Terra, 26 abr. 2013; WITTMANN, Angelina. “Kathleen S. Zwicker – Miss Blumenau 2013 – Na TV alemã”, 28 jun. 2014. As fontes documentam o uso do alemão na família Zwicker, a preservação de tradições e a vinculação de Kathleen e Hellory aos Clubes de Caça e Tiro.
[18] SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit.; WITTMANN, Angelina, op. cit. O trecho audiovisual registra Kathleen falando de sua relação com a língua alemã; as fontes contemporâneas documentam o ambiente familiar germanófono e sua preocupação com a perda de tradições e do idioma.
[19] MEYER, Manuel / dpa, op. cit. A reportagem contextualiza a moderna promoção da imagem germânica de Blumenau e a Vila Germânica, ao mesmo tempo em que documenta práticas linguísticas e familiares que não se reduzem à dimensão turística.
[20] MEYER, Manuel / dpa, op. cit. A declaração sobre o passaporte brasileiro e o “coração alemão”, assim como a preferência pela seleção alemã, constitui a base documental da interpretação apresentada neste parágrafo.
[21] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit.; SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. As fontes permitem relacionar, sem equipará-las, a histórica distinção entre cidadania e pertencimento cultural teuto-brasileiro com a autodefinição de Kathleen em 2014.
[22] SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. O trecho audiovisual e a reportagem contemporânea documentam a ausência de experiência anterior de Kathleen na Alemanha e a transmissão familiar e comunitária de elementos da identidade cultural alemã.
[23] SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch? Emissão de 27 de junho de 2014. Participação de Kathleen Suzan Zwicker; MEYER, Manuel / dpa. “Wo Brasiliens Fußballherzen für Deutschland schlagen”, 10 jun. 2014. Meyer registra que Kathleen nascera e crescera no Brasil, ainda não havia estado na Alemanha e declarou: “Ich mag vielleicht einen brasilianischen Pass haben. Aber mein Herz schlägt deutsch”. A reportagem documenta igualmente sua preferência pela seleção alemã, o ambiente familiar germanófono e outras práticas culturais da família Zwicker. Cf. também “vc repórter: em disputa acirrada, Miss Blumenau é eleita em SC”. Terra, 26 abr. 2013; WITTMANN, Angelina. “Kathleen S. Zwicker – Miss Blumenau 2013 – Na TV alemã”, 28 jun. 2014, para sua vinculação prolongada aos Clubes de Caça e Tiro e às atividades culturais germânicas de Blumenau. Sobre o contexto mais amplo da imigração germânica para o Brasil, suas distintas motivações socioeconômicas, políticas e religiosas e a heterogeneidade dos contingentes migratórios, cf. SEYFERTH, Giralda. “The diverse understandings of foreign migration to the South of Brazil (1818–1950)”. Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, v. 10, n. 2, 2013, p. 118–162; SCHULZE, Frederik. Auswanderung als nationalistisches Projekt: „Deutschtum“ und Kolonialdiskurse im südlichen Brasilien (1824–1941). Köln/Weimar/Wien: Böhlau, 2016.
[24] DIETRICH, Ana Maria, op. cit.; FROTSCHER, Méri. Mobile Identitäten, op. cit.; FROTSCHER, Méri. “‘Als Nationalsozialist tat ich jederzeit unter schwersten persönlichen Opfern meine Pflicht’”, op. cit.; FROTSCHER, Méri. “Retorno à pátria alemã”, op. cit. Em conjunto, as obras sustentam a síntese sobre mobilização nacional-socialista, NSDAP no Brasil, retornados, transmissão do Deutschtum e transformações produzidas pela nacionalização e pelo pós-guerra.
[25] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit.; SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”, op. cit.; FROTSCHER, Méri. Mobile Identitäten, op. cit.; SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. As fontes sustentam a distinção entre o antigo Deutschtum político-institucional e a persistência posterior de componentes linguísticos, familiares, associativos e identitários.
[26] SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. Ambas as fontes documentam a transmissão cultural na família Zwicker antes da experiência direta de Kathleen com a Alemanha.
[27] MEYER, Manuel / dpa, op. cit. Fonte da declaração “Ich mag vielleicht einen brasilianischen Pass haben. Aber mein Herz schlägt deutsch” e da preferência explicitamente manifestada por Kathleen pela Alemanha na Copa do Mundo de 2014.
[28] SEYFERTH, Giralda. “A idéia de cultura teuto-brasileira: literatura, identidade e os significados da etnicidade”, op. cit.; SEYFERTH, Giralda. “Socialização e etnicidade: a questão escolar teuto-brasileira (1850–1937)”, op. cit.; FROTSCHER, Méri. Mobile Identitäten, op. cit.; DIETRICH, Ana Maria, op. cit.; SWR. Nachtcafé: Typisch Deutsch – gibt’s das noch?, op. cit.; MEYER, Manuel / dpa, op. cit. O conjunto das fontes sustenta a trajetória histórica e a conclusão sobre a continuidade transformada de componentes do Deutschtum até o século XXI.
